I) INTRODUÇÃO:
O Professor José Carlos Marion iniciou sua carreira acadêmica no Mestrado em Contabilidade na FEA/USP em 1977. No ano seguinte lança-se no ensino superior como professor da Faculdade Padre Anchieta de Jundiaí.
Em 1978 concorreu a uma vaga de Auxiliar de Ensino na Universidade São Paulo, iniciando assim a sua carreira como docente e pesquisador do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA/USP.
A primeira disciplina que lecionou na FEA/USP foi Análise de Balanços. Em seguida, lecionou também Contabilidade Introdutória I e II, Contabilidade de Custos I e II, Contabilidade Gerencial, Contabilidade e Análise de Balanços etc. Ainda em nível de graduação passou a ministrar a cadeira de Contabilidade Empresarial na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco a partir de 1981.
Em termos de pesquisa sempre sentiu-se estimulado desde o início a se aplicar nos métodos de ensino da Contabilidade. Ficou surpreso ao detectar que boa parte dos egressos de um curso de Ciências Contábeis tinha dificuldade em manejar a Contabilidade com destreza. Entendeu que o maior problema estava na Metodologia do Ensino principalmente da contabilidade Geral. Em função desta linha de pesquisa, após a conclusão do seu doutoramento em 1987, començou a lecionar a disciplina "Metodologia de Ensino da Contabilidade" para o mestrado em Contabilidade e Controladoria na FEA/USP naquele mesmo ano. Uma das duas pesquisas que realizou no pós-doutoramento foi sobre "O Ensino da Contabilidade nos Estados Unidos", envolvendo principalmente o aspecto metodológico.
No seu concurso de Titular na FEA/USP em 1994 apresentou seu principal trabalho sobre "As Metodologias de Ensino Sobre a Contabilidade". Escreveu dezenas de artigos sobre o assunto, deu diversas palestras e está lançando neste ano, pela Editora Atlas, o livro "O Ensino da Contabilidade ".
Ainda em termos de pós-graduação tem ministrado no mestrado em Contabilidade da FEA/PUC e FEA/USP a disciplina Teoria da Contabilidade e a dsiciplina Metodologia do Ensino da Contabilidade.
Além do tema inicial de pesquisa sobre metodologia do ensino da Contabilidade, concentrou seus esforços na área da Contabilidade Rural. Em 1980 optou por este tema para elaborar a sua dissertação de mestrado.
Na oportunidade observava que profissionais, técnicos e mesmo empresários procuravam o Departamento de Contabilidade e Atuária e a biblioteca da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP em busca de subsídios para a Contabilidade dirigida à Agropecuária. Em nada podia-se ajudar essas pessoas, porquanto nada se tínha para oferecer.
Incorfomado com essa situação, tomou decisão de dirigir a sua pesquisa também para a Agropecuária, no sentido de desenvolver uma dissertação que não ficasse adormecida nas prateleiras de nossas bibliotecas, mas que fosse útil como base à comunidade empresarial e a profissionais contábeis atuantes na Agropecuária.
Seu plano, bastante ambicioso para a época, era composto de quatro fases distintas:
. primeira fase: dissertação de mestrado - Contabilidade Pecuária;
. segunda fase: livro didático - Contabilidade Rural (que daria origem ao Prêmio Conselho Federal de Contabilidade em 1985);
. terceira fase: tese de doutoramento - Contabilidade para Empreendimentos Florestais
. quarta fase: Contabilidade para pequenos animais difíceis de serem inventariados.
Por ocasião da elaboração de sua tese de doutoramento em 1986, optou em escrever sobre o Plano Cruzado e sua influência na Contabilidade. Dessa forma, a Contabilidade para Empreendimentos Florestais foi tema de sua Tese de Livre-Docência e a quarta fase ainda está em desenvolvimento.
Com o passar dos anos outros assuntos neste setor foram alvos de pesquisas, como Taxas de Depreciação no Setor Agropecuário, Análise de Balanços no Setor Agropecuário e, mais recentemente, Aspectos sobre a Contabilidade Rural no Canadá e Estados Unidos, como a outra pesquisa de seu pós-doutoramento realizado nos Estados Unidos em 1990/92.
Diversos trabalhos para congressos, manuais, artigos e livros são frutos dessas pesquisas, sendo que o mais recente, Editora Atlas, é o livro, em co-autoria, Administração de Custos na Agropecuária.
Sem dúvida, um fator de estímulo que recebeu para pesquisa ocorreu em 1983-1984, quando de seu mandato como Diretor de Pesquisa da FIPECAFI.
Uma terceira área de pesquisa em que tem atuado refere-se à pequena e microempresa. A ênfase é mostrar como a Contabilidade é indispensável para a sobrevivência deste importantíssimo setor da economia do país.
Em termos de produção de livros, foi agraciado em 1979 pelo convite do Prof. Dr. Sérgio de Iudícibus para escrever com ele um livro de exercícios de Análise de Balanços. Esta produção conjunta despertou-o para um fascinante projeto: escrever sobre assuntos contábeis (já que tão poucos o fazem no Brasil).
Dar aula de Contabilidade para os alunos de Direito na Faculdade do Largo São Francisco levou-o ao desafio de produzir um primeiro livro no Brasil de Contabilidade para não Contadores: Contabilidade Empresarial. Este desafio foi concretizado em 1990 quando, em conjunto com o próprio Prof. Dr. Sérgio de Iudícibus e com a FIPECAFI, se fez o livro Manual de Contabilidade para não Contadores.
Dentre outros livros de sua autoria, considera-se uma boa contribuição o livro Contabilidade Básica para cursos técnicos de Contabilidade, com uma moderna metodologia de ensino, fruto de pesquisas nesta área.
Uma análise de seu currículo, com especial atenção para os períodos antes e após o seu pós-doutoramento, revela participação significativa em atividades ligadas a congressos, seminários e outros eventos aglutinadores de profissionais e estudantes dedicados à ciência contábil. Estas participações, na maioria das vezes, são na condição de palestristas com temas relativos às áreas de pesquisas
Outro aspecto que ressalta da análise de seu currículo é o programa de pós-doutoramento desenvolvido na Universidade de Kansas (EUA) sob o patrocínio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (18 meses) e Fapesp (6 meses) no período de agosto de 1990 a julho de 1992. Neste programa, estive avaliando a estrutura do ensino da Contabilidade, assistindo a aulas, consultando diversas universidades, empresas de auditoria, professores internacionais, bancos de dados etc., além de participar em conferências naquele país.
